domingo, 4 de dezembro de 2016

O mistério das flores, o vento

Jorge Finatto
 
photo: jfinatto
 
O ESCRITOR japonês Haruki Murakami diz, no texto de apresentação de seu livro Ouça a canção do vento & Pinball, 1973, que certa vez encontrou na rua um bolo de dinheiro. Caminhava com a mulher tarde da noite, ambos cabisbaixos, porque não tinham dinheiro para pagar um empréstimo bancário que vencia no dia seguinte.
 
Na época, anos 1970, haviam contraído dívidas para abrir um bar com piano em Tóquio. Ele era duro de grana e não queria arrumar um emprego tradicional. Amava o jazz. Resolveu unir o útil ao agradável. Músicos das redondezas faziam pequenos shows durante a semana, ganhando um cachê baixo. O escritor fazia sanduíches, preparava coquetéis, expulsava bêbados inconvenientes.
 
Sempre que tinha um tempo livre, pegava um livro pra ler. Adorava romances russos do século XIX. Tinha vinte e tal anos e trabalhava muito junto com a companheira. A coisa não era fácil.

Com o dinheiro achado, pagam o banco. Afirma que deveriam ter entregue o achado à polícia mas, diante da difícil situação, não podiam pensar em boas ações.

Em 1978 tem uma espécie de epifania e decide ser escritor. Assim que, todas as noites, depois de terminar o trabalho do bar, senta à mesa da cozinha e começa a escrever. Ali nascia o grande autor.

photo: jfinatto
 
Eu nunca achei dinheiro na rua. Cada centavinho que ganhei foi muito chorado. Mas coisas misteriosas e boas acontecem na vida de toda gente. Tudo, na verdade, é um mistério.

Basta lembrar que não temos a mais remota ideia de como viemos parar nesse mundo (por que fomos escolhidos?) e menos ainda para onde vamos depois que tudo acabar. Mistério.
 
As flores, por exemplo. São obras de arte que se revelam graciosamente aos olhos do mundo todos os dias, e nada cobram por isso. Dão-se de boa vontade a quem quiser. São. Duram pouco, mas enquanto estão no mundo fazem o seu melhor, que é ser flor. Iluminam a vida.

Olhemos, respiremos, conversemos com as flores em tempos tão difíceis. E, como diz Murakami no título de seu belo livro, ouçamos a canção do vento.
 

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Ouça a canção do vento & Pinball, 1973. Haruki Murakami. Editora Alfaguara, Rio de Janeiro, 2016. Tradução de Rita Kohl. Trata-se de duas excelentes novelas que marcaram o início da carreira do escritor, pela primeira vez publicadas no Brasil.
 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

A noite passada

Jorge Finatto
 
menino torcedor da Chapecoense. photo: Nelson Almeida/AFP
 
Passei parte da noite lendo poemas, ou pelo menos tentando. Ler poemas, numa hora de tantas crises e tragédias? - perguntará talvez o leitor. Sim, é uma maneira de sobreviver emocionalmente diante do sofrimento que assola o mundo e o Brasil.
 
Por aqui, regredimos a um estado tal de selvageria e velhacaria em alguns setores importantes da vida pública que fica difícil prever melhores dias no futuro próximo. Algo está muito errado em nosso modo de ser, de discernir e enfrentar os fatos. Com a realidade posta, estamos repetindo um passado de obscurantismo e negação do humano.

Estamos revivendo o que há de pior em nossa história: indiferença ao bem comum, individualismo doentio, indigência ética. Triste. Não é catastrofismo: é a duríssima conclusão diante do quadro de descaramento, irresponsabilidade, desmandos e criminalidade de colarinho branco. Só a consciência ativa dos cidadãos de bem e a Justiça podem nos valer.
 
Falta amor social no Brasil. Me refiro àquele afeto mínimo que deve existir entre as pessoas em sociedade, que começa com o respeito ao outro. Por isso certas figuras se sentem tão à vontade de agir como agem, à sombra, à socapa, na calada da noite, no reduto do inferno.

Existem pessoas honestas e preocupadas com o país na esfera pública. Elas não podem permitir que a turma do outro lado deixe o Brasil afundar mais do que já afundou.
 
Os colombianos deram uma demonstração extraordinária de solidariedade ao Brasil na noite de ontem. No Estádio Atanasio Girardot lotado, em Medellín, milhares de pessoas homenagearam as vítimas e abraçaram a dor dos familiares e amigos dos desaparecidos no terrível acidente com o avião que levava a Chapecoense. Era a hora em que deveria estar sendo realizada a primeira partida da final da Copa Sul-Americana entre Atlético Nacional e Chapecoense.
 
Aquelas pessoas pegaram a nossa dor como sua. Abriram os braços e o coração, sem qualquer intenção de marketing, de espetáculo ou de dar lição a quem quer que seja. Emocionante. Inesquecível. Inspirador.
 

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Dor

Jorge Finatto
 
 
Homenagem a todos os que perderam a vida no trágico acidente aéreo de 29/11/2016, na Colômbia, que vitimou atletas e membros da delegação da Chapecoense, jornalistas, técnicos e tripulação. Solidariedade e força aos familiares e amigos dos desaparecidos. Deus está perto.
 
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Escudo em luto da Chape. Fonte: site oficial do clube:
 

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

A máquina de escrever

Jorge Finatto

photo: jfinatto. Livraria Miragem, S.F.de Paula, RS


A velha
máquina
de escrever
verteu
em ar fresco
o que era
calabouço

amiga
confidente
no duro ofício
de extrair
sentimento
de pedras

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Poema do livro O Habitante da Bruma, Editora Mercado Aberto, Porto Alegre, 1998.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

A tristeza de Porto Alegre

Jorge Finatto

Cais, vista parcial, Porto Alegre. photo: Lorenzo Finatto
 
Eu vou escrever uma coisa triste. Quero falar de Porto Alegre, cidade do meu coração. Do medo que sinto em andar por suas ruas. Da saudade que tenho do tempo em que isto era possível. Do sentimento de isolamento que nos invade com o cerco da violência.

Difícil acreditar que Porto Alegre é, hoje, uma das capitais mais perigosas do país. Pouco saio de casa temendo assaltos, sequestros, tiros, que ocorrem nas calçadas,  nos semáforos, nos estacionamentos de shoppings, em toda parte.

É doloroso não poder caminhar como antes por suas ruas cobertas pelas copas de tantas árvores. E o que dizer de seu rio, de suas praças e parques, do cais, dos barcos e navios, de seu lindo pôr-do-sol, de sua gente acolhedora? Está tudo escondido, hibernando à espera de melhores dias.
 
Segundo dados oficiais, o número de latrocínios (roubos com morte) aumentou este ano, chegando, entre janeiro e junho, a 23 vítimas em Porto Alegre e 89 vítimas no Estado. Mata-se por um celular, um par de tênis, um relógio velho, um carro, um pacote de supermercado, muitas vezes por nada, e sem qualquer reação das vítimas. No mesmo período, os homicídios dolosos saltaram para 351 em Porto Alegre e 1.276 no Estado. Isto sem contar outros crimes.*
 
O Estado não cumpriu a obrigação de construir novas casas prisionais diante do incremento da criminalidade. A superlotação dos presídios impede o atendimento individualizado aos presos, a começar pelo indispensável acompanhamento psiquiátrico. As condições desumanas dos estabelecimentos penais e o despreparo da sociedade em receber o egresso de volta são responsáveis pelo fenômeno da reincidência criminal, que ultrapassa os 70%. Inexiste ressocialização dos apenados.

O que as pessoas não se dão conta, parece, é que tudo de horrível que acontece no interior dos presídios retorna para as ruas.

Nos anos em que atuei na execução criminal, empenhei-me junto com colegas juízes e entidades civis pela humanização dessas casas de mortos (no dizer de Dostoievski). Trabalhamos com projetos de melhoria das condições carcerárias, buscando inserção social através do trabalho, do estudo, de encontros, palestras, livros, bem como pelo envolvimento da comunidade e das famílias dos presos nas atividades de ressocialização. Os resultados foram bons, confirmando que não existe execução criminal que dê frutos sem a participação da comunidade. A Lei de Execução Penal é sábia nesse sentido.

Pois bem, Porto Alegre possui um dos piores estabelecimentos penais do Brasil, se não for o pior, o Presídio Central. É o fundo do poço.
 
Não se chegou a este estado de coisas, portanto, por acaso. São décadas de omissão e indiferença do Estado e da sociedade. Não se combate a criminalidade sem investir, lá atrás, na concretização de direitos elementares como habitação, creches, escolas, saúde, centros comunitários e de convivência, oportunidades de trabalho, etc.

Não, a pobreza não é fábrica de criminosos. A imensa maioria da população não vai para o crime. Mas o que se vive no Brasil é uma situação de indigência social e abandono. O mundo do crime sabe cooptar seus integrantes em todos as classes, inclusive entre as pessoas mais vulneráveis, em situação de alto risco e desespero.
 
Os maus governantes devem estar orgulhosos do trabalho que fizeram, assim como aqueles que se beneficiaram deste iníquo sistema de coisas. E nós, cidadãos, temos nossa parcela de responsabilidade por escolher quem escolhemos. E por cultuarmos ferozmente a filosofia do eu-sozinho, esquecendo-nos do nós.
 
O dinheiro que falta para a realização do bem comum e para uma vida mais digna  está depositado nos bolsos sequiosos e insaciáveis dos corruptos, conforme estampado nos noticiários todos os dias.
 
O colapso de Porto Alegre não é um caso isolado, é só um triste recorte do Brasil. Esta é a herança que estamos recebendo e passando adiante, construída pelas pessoas da minha geração e das que nos antecederam.  Muitos de nós  achavam que a democracia era, por si só, a panaceia para todos os males, quando na verdade é apenas o começo do caminho a ser percorrido, e só Deus sabe a que preço.
 
Estamos atravessando um dos momentos mais agônicos da história brasileira. A falta de ética na vida pública nunca foi tão evidente. Ninguém aguenta mais tamanha desfaçatez. Precisamos urgentemente de mulheres e homens que reinventem o país com base no sentimento de solidariedade social. Um novo tempo de respeito ao próximo e de intolerância a todas as formas de corrupção é a nossa esperança.
 
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*Dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública do RS. Informação atualizada no blog em 3/12/2016.

http://www.ssp.rs.gov.br/?model=conteudo&menu=348

Os números publicados anteriormente no blog continham erro.
 

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

O cavaleiro invisível

Jorge Finatto

Dibujo de Miguel de Cervantes inspirado en el retrato que le hizo Juan de Jáuregui
Autor: Hernán Cortés Moreno. Foto: Arantxa Boyero

Fonte: Museo Casa Natal de Cervantes*


UM HOMEM SÓ, caseiro, beirando os cinqüentanos, cansado da vida pequena e vazia na qual nada acontece, resolve ir ao mundo em busca de aventura, justiça e amor.

A vida que vive não é a venturosa vida dos livros, é outra, enfadonha e triste. O melancólico senhor, habitante da região de La Mancha, na Espanha, mergulhou nas histórias de cavalaria, a elas dedicou seu tempo e sua alma, de tal modo que esqueceu o mundo real.

Vendeu até mesmo parte de suas terras, que não eram tantas, para comprar volumes e mais volumes de livros de cavaleiros andantes.

Dom Quixote e Sancho Pança, por Gustave Doré (1832-1883)

O valoroso fidalgo, de modestas posses, alto e seco de carnes, revolta-se: é preciso espelhar o sonho na realidade, plantar uma flor no solo ressequido do cotidiano.

Alonso Quijano vai ao mundo à procura daquilo que mudará o imóvel destino, quer reviver em si as lendas da cavalaria, e tecer outras, delas extraindo glória, reconhecimeno e o amor de sua amada, a não menos inventada Dulcinéia del Toboso.

O que nos diz o Quixote é que a vida real é insuficiente. Falta vida à vidinha.

A figura imortal criada por Miguel de Cervantes Saavedra (1547-1615)¹ é o resumo da alma humana em suas maravilhas, esperanças, desesperos, contradições e tragédias.

O Cavaleiro da Triste Figura saiu pelas estradas poeirentas e bosques da Espanha para resgatar os oprimidos, dar ânimo aos infelizes, levantar os desvalidos, socorrer os caídos, lutar contra todas as injustiças, e para salvar a si mesmo.
 
Dom Quixote, por Gustave Doré

Montado no magro Rocinante ele vai ao mundo, armado cavaleiro andante, com escudo, espada e lança, tendo por companheiro Sancho Pança, meio louco como o amo, um pouco mais sensato talvez, montado em seu jumento.

Lá vão eles pela solidão dos caminhos.

A vida tal como é não basta. É necessário inventar outra, erguer a aurora do fundo da escuridão. É preciso viver intensamente os dias que passam velozes e irrecuperáveis.

Viver com a urgência de quem se despede. Viver como quem morre.

"Eu, Sancho, nasci para viver morrendo."²

Ninguém no mundo terá jamais autoridade para censurar Dom Alonso pelo desvario e fracasso da louca odisséia. Só os secos de espírito o fariam. O Quixote sonhou e tentou; o seu tentar valeu por tudo.

Não será essa busca o anelo secreto que habita o coração de tantos homens e mulheres na difícil jornada através do mundo hostil e trevoso, sonhando e lutando por uma outra existência, que faça valer a pena ter nascido?

Há talvez um Dom Quixote adormecido e invisível em cada um de nós à espreita da hora da rebeldia.

"Cada qual é artífice de sua ventura"³, ensinou-nos o Quixote. Essa afirmação vale um tratado de filosofia. Vale uma vida.

_________________
¹ Dom Quixote de la Mancha. Miguel de Cervantes Saavedra. Edição ilustrada por Gustave Doré, três volumes. Tradução de Almir de Andrade e Milton Amado. Ediouro Publicações S.A, Rio de Janeiro, 2002.
² idem, terceiro volume, p.307.
³ idem, ibidem, p. 379.
Fonte das ilustrações, exceto Cervantes: Wikipédia.
Texto revisto, originalmente publicado em 14 de julho, 2012.
* Museo Casa Natal de Cervantes:
http://www.museocasanataldecervantes.org/

domingo, 13 de novembro de 2016

O hotelzinho de Rilke e Goethe

Jorge Finatto

Castelo de Muzot. photo: jfinatto
 
Olhai, as árvores são; as casas que habitamos, resistem. Somente nós passamos (...) 
 fragmento da Segunda Elegia. Rainer Maria Rilke ¹

NA CIDADEZINHA DE SIERRE, sul da Suíça, no Cantão  de Valais, hospedei-me num pequeno hotel 3 estrelas. Perto da estação de trem, tem comida caseira regional e bom vinho. O imóvel é do século XVIII e, segundo seus registros, recebeu no passado, como hóspedes, Goethe (1749 - 1832) e Rilke (1875 - 1926), dois grandes da literatura de língua alemã.
 
O Hôtel de la Poste passou por reformas ao longo do tempo, claro. É simples, caprichoso e as pessoas são acolhedoras. Ocupei um quarto no segundo andar, imaginando se Rilke ou Goethe teriam ficado nele alguma vez. Será que escreveram na mesinha junto da janela, atrás da cortina cor-de-rosa?

Enquanto me acomodava, a neve tecia caminhos de úmido algodão lá fora.

Hôtel de la Poste.Sierre.  photo: jfinatto
 
vista do quarto. Sierre. photo: jfinatto

A razão de minha visita à pícola cidade, cercada pelo maciço rochoso coberto de neve dos Alpes, era percorrer os passos de Rilke em seus últimos cinco anos de vida. Em Sierre terminou de escrever as Elegias de Duíno, iniciadas na Itália em 1912. E verteu para o francês parte de seus poemas.
 
Rilke em Muzot. photo: Fundação Rilke²

Entre 1921 e 1926, viveu no castelo de Muzot, emprestado por alguém da aristocracia local. Nele escreveu e recebeu muitas cartas, fez poemas, traduziu, conviveu, amou, planejou viagens, foi feliz e chorou  em silêncio sentado no banco sob a parreira do quintal.

Muzot pouco lembra um castelo, não é grande nem suntuoso. Não se pode entrar no local, pois é propriedade particular. Não sei se possui objetos do poeta, não há informações a respeito. Mas o fantasma de Rilke deve perambular por seus espelhos.  
 
Em Muzot compôs o poema-epitáfio. E mandou construir seu túmulo ao lado da igrejinha que costumava freqüentar, em Rarogne, a cerca de 30 quilômetros de Sierre, engastada na encosta alpina, depois que se descobriu com leucemia, na época incurável.

Aquele lugar tinha para Rilke um sentido místico. Situado sobre uma colina, com ampla visão dos alpes a leste e oeste, a passagem do rio Ródano no meio dos vales, nos remete ao sagrado. Há algo nesta paisagem que não se explica. Uma visão mágica que inspira um forte sentimento de transcendência..

Igreja de Rarogne, ao lado da qual está enterrado Rilke. photo: jfinatto


túmulo de Rilke. Rarogne. photo: jfinatto
 
A cidade mostra interesse pela memória do poeta, a começar pela Fundação Rilke ali existente. Numa livraria, porém, os livreiros mal conheciam seu nome, o que me causou certo espanto. Talvez por ser um devoto da poesia rilkeana esperava mais. Encontrei poucos livros dele na estante, comprei seu poemas franceses.

Já escrevi no blog sobre como descobri seu túmulo solitário e coberto de neve e da emoção que senti ao ler o famoso epitáfio inscrito na rósea e gelada pedra tumular.³

epitáfio do poeta. photo: jfinatto

Rosa, ó pura contradição,
volúpia,
de ser o sono de ninguém
sob tantas
pálpebras. 4

Caminhei ao léu nas ruas solitárias e geladas de Sierre. Admirei da estrada o castelo de Muzot com seu quintal, a parreira e o banco.

Memórias de um poeta que me acompanha desde a adolescência, a quem sempre serei grato pelas lições de vida e poesia em seus livros. Cartas a um jovem poeta é um dos grande livros já produzidos pelo homem em todos os tempos. O poeta genial, humilde e cordial que nunca se cansou de desvelar os mistérios de nossa passagem pelo mundo.

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¹ Elegias de Duíno. Rainer Maria Rilke. Tradução e comentários de Dora Ferreira da Silva. Edição bilíngüe alemão-português. Editora Globo, São Paulo, 2001.

² Fundação Rilke:
  http://fondationrilke.ch/la-fondation/

³ O epitáfio de Rilke:
 http://ofazedordeauroras.blogspot.com.br/2014/12/o-epitafio-de-rilke.html

4 Tradução de Manuel Bandeira, em sua Antologia Poética, Livraria José Olympio Editora, 7ª edição, Rio de Janeiro, 1974.